Aqui é a Nina. Sim, a arara. Não, eu não voei até aí — tenho arrepio de pena só de olhar pra cima. Vim a pé, de barco e de carona na carroceria de um caminhão de laranjas, e foi por isso que esta carta demorou uns dias a mais. Eram muitos passos. Contei quarenta e dois mil e trezentos e parei, porque a mala pesa e alguém tinha que reclamar.
trecho oculto
Fiquei sabendo que você adora dinossauros. Anotei e guardei na mala, junto com as cartas e com uma pedra que achei bonita e agora não sei mais por quê. Mensageira precisa saber dessas coisas: se eu cruzar com isso pelo caminho — e olha que eu cruzo com cada coisa — vou lembrar de você.
Vou te confessar uma coisa. Esta é a primeira carta que escrevo pra alguém que não conheço, sem saber se vai ter resposta. Fiquei com a pena parada em cima do papel um tempão. Mandei mesmo assim. Arara-azul escolhe um par pra vida inteira, você sabia? Uma vez e pronto. Pois é. Eu escolhi te escrever.
trecho oculto
Me conta uma coisa: o que tem de azul aí na sua casa? Procura com calma. Eu espero, que pressa é coisa de quem voa.